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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O copo do mundo é nosso!


Como estava óbvio desde que o Brasil ganhou o direito de sediar a Copa do Mundo, já está anunciado que, contrariamente ao que estabelece hoje a legislação, será permitido o consumo de bebida alcoólica nos estádios que receberão o torneio.

 Em 11 de junho último, em minha coluna na “Folha de S.Paulo”, pela enésima vez, como já escrito também aqui, a certeza era abordada.

Sob título “Qual é a surpresa?“, a coluna perguntava: “Ou alguém ainda se escandalizará por aqui quando se der conta de que durante a Copa do Mundo cairá a lei que impede que se beba nos estádios, porque a mesma Budweiser continua patrocinadora da Fifa?”.

Pois bem. Os protestos já começaram, como você poderá ler abaixo:

Liberar consumo de bebidas alcoólicas em jogos da Copa será um retrocesso.

A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) é contra a medida e afirma que isso coloca interesses comerciais acima da saúde da população.

Hoje a imprensa está informando que a Lei Geral da Copa pode permitir a venda de cerveja nos estádios durante a Copa de 2014.

Como já era esperado, os interesses comerciais que envolvem a competição levaram a Fifa a fazer pressão (mais uma) e, pelo que tudo indica, vai conseguir flexibilizar o Estatuto do Torcedor, até hoje considerado um grande avanço conquistado pela sociedade.

Esta possibilidade preocupa a Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead).

“A sociedade brasileira lutou durante anos para institucionalizar essa regra e, após um longo período de conscientização e adaptação, a população em geral e os freqüentadores dos estádios em particular entenderam que é uma medida benéfica. Ao abrir essa exceção, vamos retroceder décadas em 30 dias. Além disso, vamos abrir um precedente para que a CBF e outras federações nacionais exijam o livre comércio em jogos da sua competência”, afirma o psiquiatra e presidente da Abead, Carlos Salgado.

Para ele, abrir negociações nesse sentido é um desrespeito à consciência do legislador e à opinião pública.

O álcool é um grande problema de saúde pública, principalmente em campos de futebol. “Essa droga lícita amplifica rivalidades e facilita a expressão da agressividade. Em jogos de futebol isso pode ser ainda mais evidenciado, já que há grupos de torcedores em oposição” explica Salgado.

Para driblar os interesses comerciais e proteger avanços sociais duramente conquistados, de acordo com o psiquiatra, as autoridades brasileiras terão de contar com o apoio da sociedade e cabe às instituições formadoras de opinião manter o cidadão informado. “É preciso resguardar os interesses da população no que diz respeito à saúde pública e à segurança nos estádios, independentemente dos interesses e intervenções de alguns grupos”, acrescenta Carlos Salgado.

No mesmo sentido é importante desfazer a associação entre o álcool e os esportes, sobretudo o futebol.

A utilização da imagem de esportistas famosos em propagandas de bebidas alcoólicas é uma forte influência para o consumo, principalmente entre os jovens. “Todos nós queremos a Copa no Brasil, mas é preciso estabelecer limites. Não é aceitável negociar a saúde da população para receber o evento”, finaliza Salgado.


Fonte: Blog do Juca Kfouri

sábado, 14 de agosto de 2010

Maconha, Mesclado e Pitico. Cuidado

Em artigo publicado em ZH, o jornalista Marcos Rolim aborda pesquisa da USP, em que 50 dependentes químicos de crack foram submetidos a tratamento experimental de redução de danos, recebendo em troca do crack a maconha.

Alega que a maconha pode ser porta de saída para a dependência química por drogas pesadas. No dia seguinte, os psiquiatras Félix Kessler e Sérgio de Paula Ramos, que possuem destacada atuação nesta área, imediatamente questionaram a pesquisa. Recentemente, em parceria com a UFRGS e com apoio da RBS, a AMP/RS organizou o I Congresso Internacional Crack e outras Drogas, reunindo especialistas do México, Colômbia, Argentina e do Brasil com objetivo de debater o tema e buscar caminhos para qualificar a atuação no tocante às políticas públicas de prevenção, tratamento e redução da oferta de drogas.
Reunidos, profissionais de diversas áreas (psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, policiais, promotores de justiça, educadores e jornalistas) debateram a questão das drogas e, quase a unanimidade, concluíram ser temerária a ideia de descriminalização do uso da maconha. A experiência geral é a de que a maconha, assim como o álcool, é porta de entrada para drogas mais pesadas. O custo social que elas representam no Brasil, pela incidência direta na violência urbana e doméstica, pelos investimentos em segurança e saúde pública e pela desagregação familiar, faz com que nos preocupemos toda vez que se defende publicamente a descriminalização. Parece óbvio que o poder econômico do tráfico possui ligação direta com o número de usuários. A legislação brasileira criminaliza genericamente o uso de drogas, porém quem define quais são as substâncias proibidas é uma portaria da Agência de Vigilância Sanitária.
Pode-se pensar em, excepcionalmente, permitir a utilização médica como redução de danos. A questão é que atualmente traficantes têm misturado fragmentos de crack na maconha. Em São Paulo chamam de “mesclado” e aqui de “pitico”. A psiquiatra Solange Nappo, da Unifesp, afirmou, durante o mencionado congresso, que em SP praticamente não há mais maconha “pura”. Nossos jovens estão atentos aos malefícios do crack, mas desprevenidos em relação à maconha. Com isso, traficantes têm investido na venda da maconha misturada e estão, indiretamente, os viciando em crack. Registro que toda manifestação a favor da descriminalização da maconha prejudica o difícil e árduo trabalho de prevenção ao uso de drogas.

Fonte: Zero Hora/ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)
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